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Há um padrão que vejo repetir-se desde os anos 90. O comprador analisa o mercado, decide que os preços estão altos, e espera. Seis meses depois, vê-os 5% acima. Espera mais. Um ano depois, estão 12% acima. Nesse momento, compra — ou desiste para sempre.
O primeiro trimestre de 2026 confirmou o ciclo: os preços em Lisboa subiram 8% face ao mesmo período de 2025. Não é uma anomalia. É o padrão.
A Matemática que Ninguém Faz na Mesa das Negociações
Na Avenida da Liberdade e nas ruas imediatas — Rua Castilho, Rua Braamcamp, Príncipe Real — o metro quadrado em produto novo não baixa de €10.000. Em construção nova de topo, chega a €12.000/m². Estes não são preços de pico. São o piso do mercado naquelas localizações.
Quem considera um apartamento a €2 milhões e decide esperar um trimestre está, com base nos dados de 2026, a pagar €40.000 pelo privilégio de esperar. A €4 milhões, são €80.000. Não é especulação. É aritmética — feita com os números do mercado e não com projecções optimistas.
Quem estava à espera de comprar em 2025 por menos do que pagaria em 2024 não só não encontrou o desconto como pagou mais. Quem está à espera agora tem os dados do primeiro trimestre à frente.
Porque Lisboa Não Tem a Válvula que Outros Mercados Têm
Noutras capitais europeias, os ciclos de mercado são mais elásticos. Há terrenos para construir, há espaço para crescer, há momentos em que a oferta ultrapassa a procura e os preços corrigem de forma significativa.
Lisboa não tem essa válvula. A cidade está geograficamente constrangida — o Tejo a sul, as colinas a norte, um centro histórico que não pode ser demolido nem replicado. Por cada seis transacções concluídas em Lisboa, apenas uma corresponde a imóvel novo ou recentemente reabilitado. A pressão não se dissolve. Acumula.
Sessenta por cento do capital investido no imobiliário premium de Lisboa tem origem estrangeira — americanos, britânicos, brasileiros, investidores do Médio Oriente. Esta procura não está ligada à economia portuguesa. Não reage às mesmas variáveis. Não espera pelas mesmas notícias. Chega com análise feita e prazo curto.
O Que Trinta e Cinco Anos de Mercado Ensinam
Vi esta conversa em 1998. Vi-a em 2005. Vi-a em 2012, quando muitos disseram que o mercado nunca recuperaria. Vi-a em 2019, antes do COVID. Em cada um desses momentos havia argumentos racionais para esperar. Em todos eles, quem esperou pagou mais — ou ficou de fora.
As principais referências internacionais do sector projectam uma valorização entre 4% e 5,9% no segmento de luxo de Lisboa até ao final de 2026 — contra uma média global de 1,3%. Quatro vezes acima da média mundial. Este não é o resultado de um mercado aquecido de forma artificial. É a conclusão de quem analisa fluxos de capital à escala global e percebe que Lisboa tem algo que não se constrói por decreto: escassez real, procura genuína, e um histórico que já não pode ser ignorado.
Não estou a dizer que se deve comprar em pânico. Estou a dizer que se deve compreender com o quê se está a competir — e que esse custo sobe a cada trimestre que passa.
A Pergunta Certa
"Quando é o melhor momento para comprar?" é a pergunta errada. A pergunta certa é: quanto estou disposto a pagar por cada mês que espero?
Em Lisboa, essa resposta tem nome e tem número. Em 2026, chama-se 8%.