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Em cinco anos, um milhão de euros deixou de comprar 93 metros quadrados em Lisboa para comprar 80. Essa diferença de 13 metros quadrados é a forma mais honesta de perceber o que está a acontecer neste mercado.
O posicionamento que poucos esperavam
Lisboa está hoje entre os cinco mercados prime com maior potencial de valorização no mundo — ao lado de Seul, Tóquio, Madrid e Cidade do Cabo. Enquanto a média global do imobiliário de luxo ronda os 1,3% de crescimento previsto para 2026, Lisboa aponta para entre 4% e 5,9%. Em 2025, o mercado residencial de topo valorizou 4,4%. Não é um acidente. É estrutural.
Quando digo estrutural, digo que não vai reverter com uma eleição ou com a subida de um spread. A base é sólida: escassez de oferta real, procura internacional consistente, e uma cidade que continua subvalorizada face a Paris, Londres ou Amesterdão. Estas comparações já não são aspiracionais — são o argumento que os compradores estrangeiros usam nas negociações.
O que está a acontecer nos bairros
Na Avenida da Liberdade, produto novo vai a €12.000 por metro quadrado. No Príncipe Real e na Lapa, a fasquia está nos €7.000/m². São números que até há quatro anos seriam considerados especulativos por qualquer analista português. Hoje são transações fechadas.
O que alimenta esta dinâmica não é euforia — é falta de produto qualificado. Portugal construiu cerca de 21.000 habitações novas por ano entre 2020 e 2024. Em Lisboa, esse número é ainda mais comprimido. Quando a procura supera consistentemente a oferta durante vários ciclos seguidos, o preço não estabiliza. Sobe.
Quem está a comprar — e o que procuram
O capital internacional representou cerca de 60% do investimento residencial em 2025. Os principais mercados de origem são os Estados Unidos, o Reino Unido e o Brasil. O perfil mudou nos últimos anos: já não é o reformado europeu à procura de sol. É o empresário americano que quer diversificar fora do dólar, ou o brasileiro com liquidez que procura estabilidade jurídica e qualidade de vida.
O que estes compradores têm em comum é que não negociam preço da mesma forma que um comprador nacional. Negociam produto. Querem tetos altos, varandas viradas a sul, áreas generosas. E quando não encontram, esperam — ou pagam prémio.
O que isto vale para quem está no terreno
Trinta e cinco anos de mercado ensinam uma coisa: os ciclos não avisam quando chegam, mas avisam quando saem. Este ciclo ainda não deu sinais de saída. A procura sustenta-se, a oferta não acompanha, e Lisboa mantém vantagem competitiva real face a outros mercados europeus.
Para o agente que trabalha o segmento premium, o momento não é para hesitar no preço — é para conhecer o produto melhor do que qualquer ficha técnica. O comprador internacional que paga €1,5 milhões num T3 no Príncipe Real não precisa que lhe explique o mercado. Precisa que lhe mostrem porque é que aquela casa específica vale esse valor.
Há cinco anos, €1 milhão comprava 93 metros quadrados em Lisboa. Hoje compra 80. Daqui a cinco anos, ninguém sabe o número — mas a direcção, essa, já está definida.