Your privacy on eXp
We use cookies to run this site and, with your consent, to measure how it is used so we can improve it. Accept, or customize your choice per category. Cookie Policy
No início de 2026, havia cerca de 140 imóveis em Lisboa com preço acima dos quatro milhões de euros. Cento e quarenta. Nessa mesma altura, havia compradores activos vindos dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Brasil e do Médio Oriente — todos a olhar para a mesma cidade. Alguém me explique como é que isto termina sem pressão de preços.
Uma Oferta que Não Cresce, uma Procura que Não Para
Entre 2020 e 2024, Portugal construiu em média 21.000 novas habitações por ano a nível nacional. Para Lisboa — onde o centro histórico está praticamente encerrado a novos projectos e onde as licenças demoram anos — esse número tem pouco impacto no segmento premium. Os terrenos disponíveis para construção de topo dentro da primeira circular são raros. Os que existem já têm promotores à espera.
No Chiado e no Bairro Alto, as restrições de alojamento local criadas pelo município reduziram ainda mais a oferta disponível. No Príncipe Real, os apartamentos renovados com elevador atingem os 8.500 €/m². Na Avenida da Liberdade, os novos empreendimentos chegam aos 12.000 €/m². Estes não são outliers — são o patamar de entrada para produto de qualidade nessas zonas.
60% do Capital Vem de Fora
Em 2025, 60% do investimento imobiliário total em Portugal tinha origem internacional. Esse número não caiu com o fim da elegibilidade imobiliária no Visto Gold. Pelo contrário: o perfil do comprador mudou para melhor. Quem compra hoje não vem atrás de um benefício fiscal temporário — vem com convicção. Quer estar em Lisboa. Quer a qualidade de vida, a segurança, o clima. É uma procura mais qualificada e, por isso, mais resistente a qualquer turbulência macroeconómica externa.
As principais consultoras internacionais de referência projectam uma valorização entre 4% e 5,9% no segmento de luxo em Lisboa em 2026 — o triplo da média global, que ronda 1,3%. Nenhuma cidade aparece nessa lista por acidente. Lisboa está lá porque tem estrutura para estar.
O Que Isto Muda na Negociação
Quando há 140 imóveis de superluxo disponíveis e compradores de quatro continentes a competir por eles, o tempo de decisão comprime. Um comprador que chega bem informado mas sem o processo financeiro preparado perde o imóvel. Não porque alguém lhe bateu na proposta — perde porque ficou dois dias a organizar papéis enquanto outro fechou.
Do lado do comprador: preparar a capacidade financeira antes de visitar o primeiro imóvel, não depois. Do lado do vendedor: perceber que o poder de negociação está claramente do seu lado, mas que um processo mal conduzido ainda consegue destruir negócios que deviam fechar em 48 horas.
Em 35 anos de vendas, aprendi que a escassez real — não a artificialmente criada, mas a estrutural — é o activo mais valioso que um mercado pode ter. Lisboa tem-na. E enquanto tiver 140 imóveis de superluxo para compradores de quatro continentes, vai continuar a tê-la.