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40 cidades. 30 critérios. E Lisboa ficou em 3.º lugar, à frente de Paris, Madrid, Sydney, Viena, Zurique e Munique...!!!
É a Monocle, uma das publicações mais respeitadas do mundo em estilo de vida urbano, a dizer isto, não sou eu. E antes que penses "boa, mais uma medalha para pendurar na parede", tenho de te contar a segunda parte da notícia. Porque essa é a parte que interessa a quem vive de imobiliário.
Tu já paraste para pensar no que significa uma cidade subir no pódio mundial da qualidade de vida, ano após ano?!
Os números que explicam por que Lisboa está no top 3
Vamos aos factos, porque é isso que separa quem entende o mercado de quem só repete manchetes:
Lisboa tem, em média, 2.806 horas de sol por ano. Isso não se compra em Copenhaga nem em Viena (podem tentar, o sol não aparece, risos…).
25% da área urbana é espaço verde.
Um passe de transportes custa 40,50€ por mês. Compara isso com Londres ou Paris.
O aeroporto liga a 144 destinos internacionais.
A cidade tem 550.000 habitantes. A área metropolitana, 3 milhões.
Só Tóquio e Copenhaga ficaram à frente. Nem Zurique, nem Munique, nem Sydney conseguiram. Repara bem nisto...!!
O aviso que a Monocle fez, e que quase ninguém leu até ao fim
Aqui está a parte que devia estar em cima da tua secretária, sublinhada a vermelho.
A própria Monocle avisou: a chegada de novos residentes está a pressionar os serviços públicos, o mercado de habitação e o custo de vida. E foi mais longe. Alertou para o risco real de Lisboa se dividir entre residentes locais e uma população expatriada com muito mais poder de compra.
Achas que isto é um detalhe do artigo? Não é. É a explicação, em linguagem simples, de tudo o que já vês na tua carteira de clientes há três, quatro anos.
Regra de Ouro: quando uma cidade sobe no ranking mundial de qualidade de vida, o preço da habitação sobe primeiro, e sobe mais depressa do que os salários locais.
Quem vem de Copenhaga, de Zurique, de Londres, olha para Lisboa e vê uma pechincha. Quem nasceu em Marvila, na Amadora, em Chelas, vê uma cidade a ficar cada vez mais longe do seu bolso. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo. E é exatamente por isso que este trabalho, o teu, feito bem, com ética e com números a sério, importa mais do que nunca.
O que fazes com isto ainda esta semana
Usa este ranking na tua próxima conversa com um comprador internacional. Não é argumento de venda vazio, é dado verificável, com fonte credível.
Se tens clientes vendedores locais, explica-lhes exatamente porquê o património deles vale mais este ano do que no ano passado. Muitos não fazem ideia.
Presta atenção à tua esfera de influência em bairros sob pressão, Anjos, Arroios, Alcântara. São eles que mais precisam da tua orientação honesta agora, não só os compradores premium.
37 anos a vender casas ensinaram-me isto: quando uma cidade fica desejada pelo mundo inteiro, o consultor sério não escolhe entre servir bem o comprador estrangeiro ou o vendedor local. Aprende a servir os dois com a mesma verdade.
Escreve-me no Instagram, @nuno.venceslau: na tua zona, quem está a sentir mais esta pressão, os compradores ou os residentes?