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Quando o Governo retirou o imobiliário do programa Golden Visa, em 2023, não faltou quem previsse o pior. Queda de procura. Retracção de preços. Lisboa a perder terreno para Madrid, Dubai ou Miami. Em 2026, os dados chegaram — e não confirmam nada disso.
O comprador que ficou é o que interessa
O Golden Visa atraía um perfil específico: o comprador que chegava com um cheque e uma necessidade fiscal por resolver. Era motivação real, mas frágil — dependia de uma política, não de uma convicção sobre o activo. Quando a política mudou, esse comprador foi embora.
O que ficou — e cresceu — é o comprador que quer Lisboa. Os americanos, os britânicos, os brasileiros que chegam hoje não estão a resolver um problema de vistos. Estão a comprar estilo de vida, segurança, e um activo que as principais consultoras internacionais de referência projectam valorizar entre 4% e 5,9% em 2026. A média global está nos 1,3%. Lisboa está a crescer ao quadruplo do ritmo médio mundial.
O que os preços confirmam
Na Avenida da Liberdade, os novos empreendimentos de referência chegam já aos 12.000 euros por metro quadrado. No Príncipe Real, os valores situam-se entre 6.500 e 11.000 €/m². O topo do Príncipe Real está hoje a tocar o piso da Liberdade — o que, há cinco anos, não acontecia.
O preço médio de oferta em Lisboa situa-se nos 6.124 €/m². Quem comprou em 2023, quando a cidade ainda estava nos 4.200 €/m², já tem um retorno que hoje fala por si. Quem está à espera que o mercado "normalize" vai esperar muito tempo.
A escassez não espera por ninguém
O mercado de luxo em Lisboa tem um problema estrutural que nenhuma política corrigiu: não há produto suficiente. Para cada imóvel que entra no segmento premium, há múltiplos compradores qualificados à espera. Essa pressão não vai desaparecer porque o sentimento macroeconómico ficou mais cauteloso.
Em 35 anos de vendas — 25 deles em imobiliário — aprendi que os mercados de escassez não fazem descontos ao hesitante. O comprador que espera não recebe um preço melhor. Recebe um novo concorrente na semana seguinte.
O que mudou, na prática
O comprador internacional de 2026 é mais exigente do que o do Golden Visa. Não precisa de convencer. Já chegou convencido de que Lisboa faz sentido. O que ele quer é o activo certo — a localização correcta, a exposição solar, a área útil, o promotor. E isso exige um tipo de consultoria que vai muito além de mostrar imóveis.
O mercado perdeu uma muleta quando perdeu o Golden Visa. E ficou mais forte por isso.